19/09 – O combate à violência contra a mulher, os caminhos para romper relacionamentos abusivos e a importância da informação e da rede de proteção foram temas do Panorama Vermelho – A luta da mulher contra a violência, evento que lotou o auditório da 25ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Itaboraí, na manhã deste sábado (19). Promovido pelo Grupo OAF Assistencial, o encontro reuniu autoridades, especialistas e mulheres com histórias de enfrentamento à violência de gênero.
A programação contou com mesa-redonda mediada por Karla Monielly Belchior, CEO do OAF Assistencial, e participação da advogada Amanda Souza, presidente da Comissão OAB Mulher de Itaboraí, Pâmela Clarissa Lira, psicóloga e sexóloga, Claudineia Rosa Figueiredo e Daiane Coutinho Silva, coordenadora e professora da Associação Abrigo Rainha Silvia, respectivamente, e Lorrayne Santos, atleta de MMA.
A iniciativa também marcou o lançamento da cartilha Panorama Vermelho, além da realização de uma aula gratuita de defesa pessoal ministrada por Lorrayne.
O evento foi motivado pelo cenário de violência contra as mulheres no país. Em 2025, o Brasil registrou 1.571 feminicídios, o maior número da série histórica, enquanto as mortes violentas intencionais caíram 8,2%. Segundo os dados apresentados, 60,9% dos autores identificados eram parceiros e, em 62,5% dos casos, as vítimas foram assassinadas dentro de casa.
No Rio de Janeiro, embora os feminicídios tenham apresentado pequena queda em 2025, o número total de mulheres vítimas de violência cresceu cerca de 3%. A violência psicológica registrou alta de 6,3%, chegando a 59.743 vítimas. Em Itaboraí, o Núcleo Integrado de Atendimento à Mulher (NIAM) contabilizou 317 atendimentos em 2024, 266 em 2025 e outros 179 até junho de 2026.
Abrindo as rodadas de debates, as participantes compartilharam experiências pessoais. Claudineia contou que chegou ao Abrigo Rainha Silvia, em Itaboraí, em 1996, grávida e em situação de vulnerabilidade. No local, encontrou apoio para estudar, se formar em Enfermagem e, posteriormente, atuar no atendimento a mulheres vítimas de violência.
Já Daiane enfatizou que foi acolhida na instituição após vivenciar episódios de violência doméstica. Lá,retomou os estudos e hoje atua como professora mediadora no próprio abrigo. E deu um recado:
“Mulheres, não se calem!”
Os tipos de violências contra a mulher, como as agressões verbais, emocionais e físicas, foram exemplificados pela advogada Amanda Souza. Segundo ela, atualmente há mecanismos jurídicos para especificar as situações abusivas, que são enquadradas em penas cada vez mais rigorosas.
“Eventos como esse representam um esforço para mudar o pensamento da sociedade. Para que não haja uma normalização da violência contra a mulher e, principalmente, prevenir esses crimes”, afirmou a advogada.
A psicóloga e sexóloga Pâmela Clarissa Lira destacou sinais que podem indicar uma relação abusiva, como ciúme excessivo, controle sobre roupas, amizades, redes sociais e dinheiro, isolamento, humilhações, ameaças e chantagens emocionais. Segundo a especialista, o rompimento pode exigir apoio psicológico e uma rede de proteção, especialmente em situações que envolvem dependência emocional ou financeira.
Lorrany deu dicas de defesa pessoal e mostrou em uma aula prática como a mulher pode se proteger e até se defender em locais públicos.
“É importante não discutir, não enfrentar, mas saber controlar por exemplo os braços de um agressor e sair do ambiente o mais rápido possível em busca de amparo e segurança”, explicou a lutadora.
Para Karla Monielly Belchior, o objetivo do Panorama Vermelho é transformar os dados sobre violência em informação e caminhos de prevenção e proteção.
“É fundamental a união das entidades e autoridades públicas e privadas em prol dessa causa. O que fizemos aqui foi dar voz a quem experimentou essa realidade e pode, agora, contribuir na prevenção da violência de gênero”, destacou Monielly Belchior.
Os temas abordados foram reunidos na cartilha que leva o mesmo título do encontro, frisando os sinais de situações de abuso, direitos, mecanismos de proteção e canais de ajuda. A inciativa teve ainda sorteios de brindes e oferecimento de massagens para as participantes.



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